Moçambique e a Tanzânia reforçaram, esta quinta-feira, 31 de julho, em Maputo, a sua cooperação no combate aos crimes transnacionais, durante a VI Sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança, com a aprovação de medidas concretas para intensificar a vigilância, a segurança fronteiriça e a realização de operações conjuntas.

Durante a cerimónia de encerramento, o Ministro da Defesa Nacional de Moçambique, Cristóvão Chume, instou as instituições de defesa e segurança dos dois países a acelerarem a implementação dos consensos alcançados, destacando a importância de uma monitoria rigorosa e de resultados tangíveis nos próximos meses.

Entre os principais entendimentos firmados, destaca-se o compromisso de finalizar, até Janeiro de 2026, a proposta de adenda ao Acordo da Criação da Comissão Conjunta, as emendas às Regras de Procedimento, bem como os acordos de implementação em matéria de formação militar e serviço cívico, incluindo iniciativas de empreendedorismo juvenil.

Os dois países acordaram igualmente intensificar a realização de operações policiais conjuntas e simultâneas, complementadas por investigações coordenadas, e concluir, até Setembro de 2025, a harmonização dos planos de acção para a implementação do Memorando de Entendimento em matéria de segurança pública.

Na frente fronteiriça, as autoridades comprometeram-se a reforçar a reafirmação de fronteiras com a colocação de marcos intermédios nas zonas de maior pressão demográfica, até Outubro de 2026.

Para Cristóvão Chume, esta sessão representou uma oportunidade valiosa para consolidar a confiança mútua e reforçar os mecanismos bilaterais de resposta a ameaças partilhadas, reafirmando que a segurança e a estabilidade são pressupostos fundamentais para o desenvolvimento económico.

Por sua vez, a Ministra da Defesa e do Serviço Cívico da Tanzânia, Stergomena Tax, reiterou a importância de transformar os compromissos em acções concretas, afirmando que a cooperação entre Moçambique e Tanzânia deve evoluir para além dos modelos tradicionais de defesa, incorporando uma abordagem abrangente que enfrente as causas profundas da insegurança e promova a resiliência regional.

Citando os líderes históricos dos dois países, Tax recordou que “não há desenvolvimento sem unidade, nem unidade sem paz”, numa alusão à visão partilhada de Mwalimu Julius Nyerere e Samora Machel sobre a solidariedade e a luta comum pela soberania e progresso.

A Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança entre Moçambique e a Tanzânia constitui um mecanismo estratégico para a coordenação bilateral em matéria de segurança e defesa, particularmente na região fronteiriça, onde a ameaça do terrorismo e outras actividades criminosas transnacionais exigem respostas articuladas e persistentes.